Uma Mulher Sem Filtro: Crítica com spoilers (desci a lenha)

PANFLETO IDEOLÓGICO — esse é o único termo que realmente define “Uma Mulher Sem Filtro”.

Nossa protagonista é a típica “mulher boazinha” que vive engolindo sapos do chefe, do marido, da motorista, da amiga, até que (de forma até inteligente por parte da roteirista) ela é “salva” pela deusa Xana — eis a sua “transformação”. SQN.

Agora ela reage a um assalto, enfrenta a rival do trânsito, manda o marido embora, expulsa o filho de casa, invade a casa da vizinha e ameaça botar fogo em tudo (entre outras atitudes). Enfim, agora ela é a super power girl de Beauvoir, a nossa “protagonista rebelde” que põe tudo pra fora, enfrenta seus opressores, mas que, na verdade, acaba se tornando alguém tão ou mais tóxica que aqueles que a oprimiam.

Em dado momento do segundo ato, depois de colaborar com a morte do gatinho da irmã, ela tenta se desculpar, se arrepende de humilhar as pessoas, e a palavra que me veio à mente foi “equilíbrio” — pensei: “agora vai!”

Mas não foi. E, de forma decepcionante, o filme volta ao seu wokismo militante: agora a rebelde se une à ex-rival influencer (agora super-rica, afinal, comprou três empresas chefiadas por homens incompetentes) e as duas se tornam uma superdupla de mulheres fortes e independentes. No túmulo, Madame Beauvoir deve estar aplaudindo o filme até agora, mas a plateia que é bom, só chora.

A roteirista até cria um mundo plausível em vários aspectos, mas o que estraga esse universo é a insistência em “gritar por trás do roteiro”: “olha, mundão, o feminismo liberta, viu?” Só que a autora esqueceu que boa parte da audiência não faz ideia — e nem se importa — com a sua “redenção feminista”.

No geral, o aspecto técnico do filme é impecável: produção, direção de arte, montagem — tudo funciona. A trilha sonora, então, combina perfeitamente, criando uma atmosfera suficiente pra gente sacar “qual é a da roteirista”. (Olha a dona Beauvoir dando tchauzinho pra você). Mas o que realmente destrói o filme são os termos panfletários: “velho machista”, “patriarcado” — só faltou alguém gritar: “Elon, morre, seu maldito bilionário!”

Gente, bora lá: não há problema nenhum em abordar temas como liberdade ou empoderamento feminino; o problema surge quando o/a roteirista começa a espernear ideologia através do wokismo — coisas que a gente já está vendo, “tá na imagem” !

Uma Mulher Sem Filtro é aquela típica conversa de bar em que todos concordam entre si. Infelizmente, o filme — apesar de abordar temas relevantes — não fura a bolha, não promove debate e não atende à própria proposta da visão de mundo da roteirista. Fica evidente que a senhorita Tati Bernardi (roteirista) não compreende em profundidade a perspectiva que tanto critica e ironiza no roteiro.

Mais um filme nacional que se perde na ideologia panfletária. Triste! Ao assistir a obras assim, bate uma saudade do cinema ”Linha de Passe”, ”A Via Láctea”, ”O Homem que Copiava”, ”Cidade de Deus”, ”Que Horas Ela Volta”?, ”Tropa de Elite 1 e 2”, ”Bingo: O Rei das Manhãs”, entre outros.

Em breve, trarei a crítica de filmes como ”O Exterminador do Futuro” e ”Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”. Nesses filmes, a dona Beauvoir só fica na plateia com aquele sorrisinho de canto, sabe?

Até a Última Gota: Crítica do filme (SEM SPOILER)

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