Shrek 5: O que todo roteirista precisa saber sobre esse filme
A franquia Shrek sempre se destacou por sua abordagem metanarrativa, desconstruindo e parodiando os contos de fadas tradicionais. Com o anúncio de “Shrek 5”, previsto para estrear em 23 de dezembro de 2026, a expectativa é que essa característica seja ainda mais explorada, especialmente com a inclusão de novos elementos que dialogam com a cultura contemporânea.
Uma das adições mais empolgantes ao elenco é a atriz Zendaya, que dará voz a Felicia, a filha adolescente de Shrek e Fiona. A introdução de Felicia abre possibilidades narrativas para explorar temas relacionados à adolescência e às dinâmicas familiares, oferecendo uma nova perspectiva dentro do universo já estabelecido. 
Além disso, o teaser divulgado sugere que o filme incorporará memes e referências da internet, com Shrek interagindo com versões memeificadas de si mesmo através do Espelho Mágico. Essa abordagem não apenas atualiza a narrativa para o público atual, mas também reforça a tradição da franquia de satirizar elementos da cultura pop. 
Oportunidades para Roteiristas
Para roteiristas interessados em compreender e aplicar técnicas metanarrativas, “Shrek 5” promete ser um estudo de caso exemplar. A seguir, algumas considerações sobre como essas técnicas podem ser empregadas:
1. Quebra da Quarta Parede: Personagens podem reconhecer que estão dentro de uma história, interagindo diretamente com o público ou comentando sobre a própria narrativa.
2. Paródia e Sátira: Reinterpretação humorística de elementos conhecidos, subvertendo expectativas e oferecendo críticas sutis (ou nem tanto) a convenções estabelecidas.
3. Autorreferência: Incorporação de elementos que fazem referência a eventos anteriores da franquia ou à própria produção cinematográfica, criando um diálogo interno consistente.
4. Comentário Social Atual: Uso de referências contemporâneas, como memes e tendências da internet, para conectar a narrativa ao contexto atual e tornar a história mais relevante para o público moderno.
Ao analisar “Shrek 5”, roteiristas podem observar como a combinação desses elementos cria uma narrativa rica e multifacetada, capaz de entreter e provocar reflexões simultaneamente. A integração de novos personagens e a adaptação às mudanças culturais demonstram a importância da evolução constante na construção de histórias que ressoam com diferentes gerações.
Em resumo, “Shrek 5” não apenas dá continuidade à saga do ogro mais querido do cinema, mas também oferece uma oportunidade valiosa para profissionais e entusiastas do roteiro explorarem e aplicarem técnicas metanarrativas de maneira criativa e eficaz.
Metanarrativa e a Desconstrução dos Contos de Fadas:
A metanarrativa é um conceito fundamental para roteiristas que desejam construir histórias com camadas de reflexão e crítica. O termo, popularizado pelo filósofo Jean-François Lyotard, na obra A Condição Pós-Moderna, refere-se às grandes histórias ou sistemas de pensamento que tentam oferecer uma explicação totalizante sobre a realidade — como o progresso, a religião ou a ciência. Filósofos como Hegel, Marx e Nietzsche desenvolveram metanarrativas que buscavam explicar o mundo por meio de ideias universais.
No campo do roteiro, compreender a metanarrativa permite que o escritor não apenas conte uma história, mas dialogue com a tradição narrativa que veio antes dele. Isso é especialmente importante para histórias que subvertem ou desconstruem gêneros, como Shrek fez com os contos de fadas.
Os contos de fadas clássicos, com suas estruturas previsíveis de heróis, vilões e finais felizes, são baseados em uma visão de mundo moralista e idealizada. Para desconstruir essas bases, como os roteiristas de Shrek fizeram, é necessário conhecer profundamente as regras antes de quebrá-las. Eles não apenas parodiaram esses contos, mas revelaram como essas histórias moldam nossa percepção de amor, beleza e heroísmo.
Para o roteirista contemporâneo, dominar essas estruturas e entender o conceito de metanarrativa permite:
1. Criar histórias mais sofisticadas que dialoguem com o público consciente das convenções do gênero.
2. Desafiar ideias pré-estabelecidas, promovendo novas interpretações e questionamentos.
3. Evitar a crítica rasa, oferecendo desconstruções inteligentes que vão além do simples humor ou ironia.
Assim como os roteiristas de Shrek conseguiram subverter os contos de fadas sem perder o apelo popular, o futuro roteirista pode usar a metanarrativa como uma ferramenta para oferecer novas perspectivas — seja questionando, reinterpretando ou até afirmando certas visões de mundo através da sua própria história.
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