Minecraft: uma farsa pastelão que quase funciona
Depois de mais de uma década de domínio absoluto no mundo dos games, Minecraft finalmente chegou às telonas. A adaptação do maior sucesso da Mojang era inevitável, mas a pergunta que pairava no ar era: como transformar um jogo sem enredo, sem protagonista e sem objetivos definidos em um filme envolvente? A resposta da Warner Bros. foi mais ousada (e estranhamente eficaz) do que muitos poderiam imaginar.
Quando o nonsense é o melhor caminho
O diretor Jared Hess, famoso por “Napoleon Dynamite”, assumiu a difícil missão de dar forma cinematográfica a Minecraft. Com um orçamento de 150 milhões de dólares e um time de roteiristas que inclui os próprios Hess, Chris Bowman, Hubbel Palmer, Allison Schroeder e Peter Sollett (que também está creditado como roteirista original), a produção tomou a decisão mais sensata possível: fazer uma comédia pastelão, absurda, e sem a menor intenção de ser levada a sério. E, como aponta o Slashfilm, esse foi o único caminho viável — e surpreendentemente divertido.
Na história, conhecemos Henry (Sebastian Hansen) e sua irmã Natalie (Emma Meyers), que se mudam para a excêntrica cidade de Chuglass, Idaho, após a morte da mãe. Lá, conhecem Garrett “The Garbage Man” Garrison (Jason Momoa), um ex-campeão de fliperama decadente, que trabalha numa loja de videogames vintage. Tudo muda quando eles encontram um misterioso cubo brilhante e um cristal mágico — itens deixados por ninguém menos que Steve, interpretado com entusiasmo contagiante por Jack Black.
Steve é um antigo morador da cidade que descobriu um portal para o Mundo Superior, onde as regras da física obedecem à lógica do jogo Minecraft: criar, minerar, e sobreviver. Black entrega uma performance elétrica, quase infantil, explicando sem parar as dinâmicas do universo pixelado. “Ele é como uma criança explicando o jogo para um pai confuso”, resume o Slashfilm. E isso funciona — o personagem é um canal direto com o público mirim, que entende esse mundo como ninguém.Curiosamente, boa parte do charme do longa está fora do universo do jogo. Hess dedica atenção especial à cidade de Chuglass e seus moradores excêntricos, dando ao filme um clima de comédia indie que remete ao seu trabalho anterior. Há uma loja de batatas fritas, moradores obcecados por lhamas, Tater Tots, e um fliperama em ruínas. É tudo muito esquisito — e funciona. Se o filme fosse só sobre esses personagens, já seria interessante. Mas como estamos falando de Minecraft, eventualmente o enredo entra de cabeça na fantasia.
No Mundo Superior, temos monstros cúbicos, ciclos de dia e noite de 20 minutos e cidadãos com cabeças desproporcionais. O vilão da vez é Malgosha (Rachel House), uma Piglin do Nether que quer destruir o mundo com um raio cósmico, motivada por pura ganância. É o tipo de ameaça genérica típica de filmes infantis, mas que serve bem ao propósito da trama.
O interessante é que o filme se recusa a se levar a sério. Ao contrário de outras adaptações que tratam o material original como sagrado (olá, “Uncharted”), Minecraft opta por rir de si mesmo. Não há grandes momentos de fan service, nem revelações emocionantes. Tudo é tratado de maneira prática, quase didática. Ghasts, Ender Pearls e crafting tables aparecem como ferramentas de cena, e não como relíquias de um cânone intocável. É um sopro de ar fresco, especialmente em uma era de adaptações excessivamente reverentes.
O que torna Minecraft um filme funcional é justamente sua recusa em tentar ser algo que o jogo não é. Jared Hess e seu elenco — que ainda conta com Danielle Brooks como a corretora Dawn e Jemaine Clement como um leiloeiro — abraçam o absurdo com tanta naturalidade que o espectador embarca junto. Como destaca o Slashfilm, o longa não é nenhum marco cinematográfico, mas possui algo raro em blockbusters atuais: personalidade.
Se você esperava uma saga épica, ou uma reinvenção ousada da franquia, talvez se decepcione. Mas se entrar na sala de cinema com a mente aberta, vai encontrar um filme leve, engraçado e até estranho o bastante para deixar uma marca.
Minecraft no cinema é, sim, uma ideia estranha — mas não tão desastrosa quanto poderia ser. E no fim, essa talvez seja a maior surpresa do filme.
E você, já assistiu Minecraft? Curtiu o clima de comédia nonsense ou esperava algo mais sério? Deixe seu comentário e conta pra gente como você imaginava essa adaptação!
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